terça-feira, 18 de novembro de 2008
"Não, nós não tivemos um final como merecíamos. Explodimos tudo, a começar por nós mesmos. Achei que era impossível vivermos um sem o outro, e no entanto vivemos. Releio o que escrevi para você. Sobrou parte, porque quase tudo que escrevi e recebi de você destruí num mau momento. Você foi tão importante para mim quanto a espuma é para a beleza dos mares e a noite para o fulgor das estrelas. E no entanto jamais meus olhos haverão de contemplá-lo outra vez. A dor da ruptura foi insuportável num primeiro momento. Depois cedeu. Transformou-se numa indiferença que me incomoda. As dores de amor perdido jamais deveriam se extinguir, mas o vento as arrebata como a uma chama de fósforo. No grande amor que se desfaz, pior que a dor sentida é a dor extinta."
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Simplicidade.
E então, quando você menos esperar, se encontrará conformado com as suas impossibilidades. Vai deixar de se questionar até que ponto todo sacrifício vale a pena. Vai se esquecer de perguntar, em silêncio, o que eu fiz pra merecer isso. Depois você vai simplesmente se automatizar no sentido de resolver as coisas e tornar tudo mais simples. É aí que mora o perigo. Um belo dia, o seu inconsciente toma a decisão de mergulhar na escravidão do tempo, da rotina e das obrigações. Dorme. Acorda. Come qualquer coisa. E rua: trânsito, fumaça. Relógio. Conversa sobre coisas mundanas. Com pessoas mundanas. Interesse. Desconfiança. Tragédia no jornal. Cansaço. Estafa. Prazos. Necessidade de sobrevivência. Cobranças, cobranças. Trânsito. Talvez uma academia próxima e toda a pressão de ser saudável, de ser impecável, de ser feliz. Suor. Mais cansaço. Casa, alívio. Chave na fechadura. Cachorro à sua espera: receptivo, sempre de braços abertos. Um sorriso natural, o primeiro do dia? A família se entreolha e faz um rapidíssimo retrospecto do dia. Todos cansados. Olhinhos pesados, corpos sem forças. Cama, mesa, banho. Amanhã tem mais. O fim de semana é a mansão das missões adiadas. É um casarão grande, bonito e abandonado porque o avô morreu, a avó mudou-se pra longe da tristeza. Os filhos não têm tempo ou disposição para ir até lá, dizem que é longe, que estão cansados. Os netos estão crescidos. Com as namoradas, as viagens e as festas da faculdade. (E eu já te disse: as metáforas são um excelente esconderijo.) Você está feliz porque vai encontrar os amigos que moram dentro de suas emoções e lembranças mais genuínas. Mas, ao chegar, o adjetivo mais usado para te caracterizar é sumido e você se sente distante das histórias, das piadas internas e até mesmo da maneira de falar uns com os outros; como se o carinho tivesse se dissipado e a magia estivesse guardada dentro de (um baú) nossa antiga unidade excêntrica. Às vezes passa e estamos novamente juntos, invasivamente juntos, como há tempos atrás, aqueles tempos inocentes, subentendidos de levezas fluidas. Mas às vezes não passa. E aí você vai pra casa pensando que talvez não devesse ter ido, perguntando por que insiste em certas coisas que pertencem somente ao coração de criança. Queria que estivesse chovendo, mas a meteorologia e meu estado de espírito nunca quiseram se conhecer. Na volta pra casa surge um comentário sobre as voltas, os rumos e os destinos, se é que existem. Estamos todos no mesmo lugar? Ou aquele mesmo lugar ainda existe em cada um de nós? Alguma das alternativas tem a obrigação de estar correta. As reflexões sobre as coisas sublimes consolam. Compensam uma semana, um mês, um ano de coisas mundanas. A rotina urbana tem essa capacidade de esvaziar sentidos. Somos todos suflês da mesma receita. Mas com propósitos distintos. E um dia você se cansa disso também. Deixa tentar encontrar um padrão nas determinações e felicidades daqueles seres constituídos pela mesma matéria orgânica. Talvez conclusões inatingíveis não mereçam nosso tempo precioso. Você está anestesiado, rendido, vendido aos tempos urbanos. Então desiste: entrega os pensamentos a uma música que te preenche. Pra mim um quarteto de cordas seria suficiente como prêmio de consolação. Mesmo na música popular. A clássica é a existência coesa em forma de som. Mas é justamente por isso que a popular me surpreende: está confesso o meu momento de evasão. Lá fora um casal caminha calmamente. Aproveitando a manhã de domingo. Cachorro deitado no chão da varanda... Ela gosta de sol e aproveita o silêncio para acompanhar com a cabeça todos os movimentos de uma borboleta. Simples isso. Queria escrever sobre a simplicidade da vida... Mas não enquanto não acreditar nela.
pra quem não lembra do sonho mas tem certeza convicta de que foi algo maravilhoso;
pra mim que lembro de vários, mas não acho papel na hora e volto a joga-los no inconsciente; pra quem sonha mais alto só pra não sentir o peso da realidade;
pra mim que sempre durmo achando que o sonho vai me deixar feliz na manhã seguinte;
pra quem cochila e em vinte minutos reencontra o inesquecivel, dormindo;
pra mim que troquei sonhos noturnos, por realidades que, às vezes, pareciam sonhos.
pra mim que lembro de vários, mas não acho papel na hora e volto a joga-los no inconsciente; pra quem sonha mais alto só pra não sentir o peso da realidade;
pra mim que sempre durmo achando que o sonho vai me deixar feliz na manhã seguinte;
pra quem cochila e em vinte minutos reencontra o inesquecivel, dormindo;
pra mim que troquei sonhos noturnos, por realidades que, às vezes, pareciam sonhos.
domingo, 16 de novembro de 2008
Preciso parar de correr só porque tudo parece estar andando.
Estou escrevendo isso porque preciso ensinar a minha mente a pensar de forma seletiva. Muitas coisas que passam perto de mim - seja no cartaz, na internet ou nos livros - eu não levarei adiante como ideia a ser amadurecida. Estou escrevendo porque preciso para com a mania do deslumbramento repentino. De ter como ordem do dia o ato de colecionar coisas inatingiveis, de planos escritos pela metade e sem ter data para serem cumpridas. Desde os 8 anos eu sou assim e é hora de tentar manter um controle, um ponto de equilibrio. Falo dos deslumbramento dos outros, digo pra não serem assim. Mas eu tambem corro por fora e ajo assim. Acordei pensando nisso, resolvi entao escrever. Não, isso nao é atestado de incapacidade, nem prova de tempo ruim. Eu preciso saber dizer "não" para algumas ideias malucas. Preciso deixar de querer estar adiante. Com certeza, estar adiante sem perceber é muito melhor. Preciso parar de correr só porque tudo parece estar andando.
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